quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Politicamente correto
Ontem, ouvindo a CBN (hábito compartilhado pela mãe), me
deparei com a notícia que a Volkswagen iria retirar a campanha do Gol chamada
“Superstição" porque ela associa um gato perto a azar e o bicho é espantado
pela água do limpador de vidro do capô do carro.
Segue a explicação do caso:
Segundo
os consumidores reclamam nas redes sociais, no vídeo, após o motorista
estacionar o veículo e o desligar, aparece um chaveiro com um pé de coelho.
Então, um gato preto pula no capô e o slogan "não dá para contar só com a
sorte" aparece. Para espantá-lo, o motorista aciona o limpador de
para-brisas, o que, para os consumidores, estimula os maus-tratos aos gatos
pretos, já que eles estão sendo associados ao azar.
Na
boa, eu não quero que meu filho cresça num mundo politicamente correto assim. Quero que ele cresça num mundo de respeito e
afeto. Não é uma imagem como essa que vai estimular meu filho a maltratar um
animal. Não é porque ele canta “Atirei o pau no gato” na versão antiga que ele
vai querer ser um exterminador de bichanos.
Acredito que exemplo se dê em casa. Valores nascem da
educação dos pais e ninguém substitui a educação dada dentro de casa. Não
adianta colocar o filho na frente da TV e culpar a programação por tudo.
Lembrem-se, você tem o direito de desligar o TV e brincar com seu filho. Mostre
o que é uma piada, o que é bom humor, ensine que gatos negros são injustamente
acusados de má sorte, explique que muito são sacrificados por ignorância por
isso, essa é a função dos pais. Isso dá trabalho, mas é sua obrigação.
Quero que meu filho saiba o que é uma piada e ria. Não quero que ele entre no Facebook contra uma marca de catchup porque
filmou a história dos dois tomates atravessando a rua. Eu nunca cantei a versão
politicamente correra de “Atirei o pau no gato” e nem por isso fico chutando
bichinhos, aliás, minha barriga é morada tranquila dos folgados gatos de minha
irmã (será que posso escrever que os gatos são folgados ou estou agredindo os
pobres animais?).
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Sacrifícios
“Por essa criança, você fará os maiores sacrifícios!”. Essa
foi uma frase muito ouvida nessas poucas semanas. Ela vem como uma profecia, quase
o encontro das 3 Bruxas em Macbeth
(citação só para parecer pseudo culto). Pois é, para quem está gerando a sua
primeira criança, ou apenas esperando a geração (caso do pai), essa profecia é
quase um mantra.
E esse mantra se confirmou no domingo, muito antes desse
bebê nascer. Se não fosse pela mãe, pelos desejos de grávida, pelos amigos que
gostaríamos de compartilhar a notícia, se não estivesse num clima diferente, se
a felicidade não transbordasse, não
enfrentaria meu primeiro bloco de carnaval em quase 15 anos.
Sim senhores! No domingo, vi a floresta subir a montanha, vi
a profecia se concretizar e fui ao Gigantes da Lira compartilhar meu novo
estado com os amigos. No meio de uma chuva de confetes, de banho de espuma, com
marchinhas entoadas pelo trio elétrico, com crianças correndo pelo chão, suando
feito um condeno, eu estava me sentindo bem e feliz com o carinho, cuidado e a
felicidades dos amigos foliões e suas proles.
Já me vejo no próximo ano, vestido de homem das cavernas, com
Bento ou Olívia no colo – não esperem coerências nos nomes até o registro em
cartório – de Pedrita ou Bambam, dançando agarradinho, entre fraldas e mamadeiras.
Que venham outros sacrifícios, só não pode ser uma micareta, ai eu deserdo esse
bebê.
PS: Resolvi o problema dos comentários. Agora está liberado para todos. Comentem!
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
9 semanas
Essa semana é muito importante. O site-guru baby center informa que os pulsos estão mais desenvolvidos, os tornozelos já se formaram e os dedos das mãos e dos pés são claramente visíveis. Os braços vão ficando mais compridos e já se flexionam nos cotovelos. É muita coisa, embora ainda tão pequeno. Ao fim da semana, as estruturas internas dos ouvidos estão concluídas. O site diz ainda que, “com nove semanas de gravidez completas, entrando na décima, você pode estar com a impressão de estar ficando maluca. Um dia está feliz da vida, no outro de péssimo humor.” Ufa, é um alívio saber que é um sintoma geral e não apenas coisa da minha cabeça. Eu, que sempre fui centrada e tranquila, justamente por isso estranho essa instabilidade emocional. Mas se faz parte, faz parte. Vamos em frente! Ainda bem que o pai é bastante parceiro e paciente!
Avós
A semana passada foi agitada mas muito feliz. Visita da avó e da bisavó paulistas no início, e no final da avó gaúcha. E aí eu fui percebendo que um futuro bebê traz alegria não só pros pais, mas pra todos os que estão ao nosso redor. Não que eu já não soubesse disso, mas foi a vez de sentir esse carinho “ao vivo”, pela primeira vez. Coisa mais linda ver essas pessoas tão (ou mais!) empolgadas do que a gente. E particular é também a boa e feliz sensação que surge a cada amigo com quem compartilhamos a notícia! Bem vindas todas as boas energias em torno da minha barriga!
Minha mãe me deu um presente especial. A aliança dela de casamento. Uma forma de ela e meu pai, que morreu quando eu tinha 5 anos, estarem comigo nesse momento. Desde então, não tirei mais do dedo. Um símbolo de proteção pra Teresa/Francisco/Olívia/Bento/Davi ou sei lá mais qual outro nome vamos cogitar nos próximos meses.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Você nunca mais vai dormir!
Eu achei que essa profecia só se concretizaria daqui a 32
semanas, mas me enganei. Essa foi uma semana agitada, principalmente para a
mãe, e cada vez que ela se mexia na cama, eu acordava preocupado.
Muito estranho. Ela passa o dia com sono. Onde encosta, dorme.
Mas, no meio da noite, parece que o sono some e as pulgas atacam. Culpa dos
hormônios! Essa coisa poderosa que muda uma pessoa, que a deixa com frio, que
faz com que ela fique menos atenta, que a transforma em um zumbi e que vai mudando,
dia-a-dia, o físico e o psicológico.
No meio desse turbilhão, o papai aqui fica preocupado porque
ela não dorme direito, porque ela está cheia de coisas pra fazer, porque o
stress do trabalho entra nesse jogo louco de tantas preocupações e alguns
sustos, que, no final não eram nada, mas que precisaram de mais hormônios!
Preocupação. Uma das poucas coisas que o pai pode
compartilhar. Depois do exercício livre de imaginar meu filho no ultrassom,
depois de ouvir os batimentos do coração, cada variação da mãe é um fator para
ficar atento, alerta, em prontidão. O pai não se transforma fisicamente – até porque
se a minha barriga crescer mais eu tô ferrado – mas tem que um sentido de
protetor da matilha.
Só que tem horas que não dá para fazer muita coisa. Apenas
torcer e dar carinho. Segurar a mão, preparar um sanduíche e dizer que tudo vai
ficar bem. Ficar do lado nos momentos de tensão, mimando, ninando e tentando
ser o homem mais corajoso que ele jamais foi.
Nesse jogo de 40 semanas, já sei o meu papel: Torcer! Desde
o começo, torcer! Para que o espermatozoide encontre o caminho. Para que tudo
aconteça tranquilamente. Para que ela não tenha nenhum problema durante esses
nove meses. Para que o sono volte, assim como o frio e a concentração. Para que
ele venha com saúde. Para que o tempo passe e para que em 32 semanas, o choro
mais lindo do planeta de início a uma nova fase, uma nova vida, e ai sim: eu
nunca mais vou dormir.
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